Cigarro

Bupropiona para parar de fumar: como este remédio age contra o cigarro

Inicialmente, a bupropiona era usada como antidepressivo. Mas ensaios clínicos mostraram sua eficácia em tratamentos para parar de fumar, pois o remédio ameniza os sintomas da abstinência do tabaco. E há cerca de 20 anos vem sendo prescrito para essa finalidade.

A principal vantagem do tratamento com bupropiona é a redução dos sintomas e sinais de abstinência, um dos fatores mais relevantes na desistência durante o processo de tentativa de largar o cigarro. A medicação aumenta a chance de sucesso na luta contra o tabagismo.

Pesquisas realizadas somente com a bupropiona revelam que seu uso pode duplicar ou triplicar o índice de abandono do cigarro, em comparação à administração de placebo. Uma delas foi publicada inclusive no New England Journal of Medicine.

No entanto, a bupropiona costuma ser de fato eficiente em quem apresenta dependência química – e não psicológica – do cigarro. Normalmente, é prescrita para quem tem grau elevado de dependência e não está conseguindo parar com o cigarro por causa dos efeitos da abstinência.

Fora isso, é necessário avaliar se o paciente tem algum transtorno psiquiátrico, uma vez que o uso do remédio é capaz de desestabilizar o estado mental de pessoas mais vulneráveis.

É comum o médico medir o grau de dependência e indicar a bupropiona para quem fuma 20 cigarros ou mais por dia, ou tenha recebido acima de cinco pontos em um teste específico, chamado de Teste de Fagerström.

Bupropiona para parar de fumar: saiba mais sobre ela

Em geral, é interessante unir o tratamento com a bupropiona a uma terapia de reposição de nicotina, como a pastilha e o spray nasal, por exemplo. A combinação potencializa os resultados.

Para entender como a bupropiona age, é bom lembrar como atua a nicotina em nosso organismo. A substância estimula liberação de dopamina nas áreas do cérebro ligadas à sensação de bem-estar. Quando o efeito passa, o nível de dopamina cai, fazendo a pessoa querer fumar outra vez. Assim é a dependência química.

O que a bupropiona faz é uma espécie de competição com a nicotina pelos receptores de dopamina. O resultado: fumar mais um cigarro para ter uma sensação agradável passa a ser cada vez menos necessário. Outra vantagem é que o medicamento não causa dependência e não requer retirada gradativa, como muitos outros do gênero.

Geralmente, a bupropiona para parar de fumar é utilizada por cerca de três meses – e ingerida até duas vezes por dia. Mas isso varia de acordo com o histórico e a reação de cada pessoa, além de fatores como peso corporal, situação cardiovascular e sensibilidade ao remédio.

Nunca é demais lembrar da importância do acompanhamento médico especializado durante um tratamento. A bupropiona pode interagir com vários outros produtos farmacêuticos, especialmente os vasoconstritores e os broncodilatadores. E se você apresentar alguma cardiopatia ou hipertensão, é preciso relatar suas condições durante a consulta.

Somente após avaliação individual, o profissional de saúde pode reunir informações suficientes para traçar um plano de ação para combater uma enfermidade ou, no caso, o tabagismo.

O conteúdo deste post tem função de informar. Apenas um médico pode decidir o que é melhor para cada pessoa e prescrever tratamentos de acordo com a situação específica.

Os profissionais de saúde são os únicos aptos a recomendar o uso de substâncias para tratar doenças, avaliando inclusive o risco de interações entre medicamentos.

A bupropiona pode causar cefaleia, insônia, boca seca e, em situações mais graves, convulsões, hipertensão, taquicardia, urticária e manchas na pele (rash cutâneo).

Cuide-se! Até a próxima…